A Brazil Iron firmou uma parceria com o Bureau Veritas para estruturar o monitoramento das emissões de gases de efeito estufa previstas para o Projeto Ferro Verde, na Bahia. A iniciativa vai abranger toda a cadeia produtiva, desde a mineração e o beneficiamento do minério até o transporte, a pelotização e a produção de HBI (ferro briquetado a quente) pelo processo Midrex.
O trabalho terá como objetivo calcular a intensidade de carbono projetada do empreendimento e avaliar sua relação com o CBAM, mecanismo da União Europeia que estabelece um custo sobre as emissões de carbono associadas a determinados produtos importados.
O Bureau Veritas, grupo francês especializado em inspeção, testes e certificação, também participará da estruturação dos dados que servirão de base para futuras verificações independentes das emissões do Projeto Ferro Verde.
Dados rastreados
A metodologia prevê o levantamento de informações como volume de produção, consumo de combustíveis e energia, matérias-primas utilizadas e documentos que comprovem os registros. Os resultados deverão ser apresentados em toneladas de dióxido de carbono equivalente por tonelada de HBI, acompanhados da identificação das fontes e dos métodos empregados nos cálculos.
O sistema também permitirá relacionar cada informação de emissão à respectiva origem, metodologia de cálculo e documentação de suporte. Além disso, serão estabelecidas as premissas e os limites do sistema considerados na apuração das emissões.
Com o acompanhamento de todas as etapas, a Brazil Iron poderá identificar os pontos de maior emissão da cadeia produtiva e monitorar a evolução do desempenho ambiental da operação.
O HBI produzido pelo projeto será destinado ao mercado siderúrgico. Trata-se de um insumo metálico de alta qualidade utilizado na fabricação de aço em fornos elétricos a arco.
Avaliação do CBAM
A primeira etapa da avaliação do CBAM, realizada com base nos dados da fase de viabilidade do Projeto Ferro Verde, já foi concluída. O estudo permitirá separar a pegada de carbono total da cadeia produtiva das emissões efetivamente consideradas dentro dos limites regulatórios do mecanismo europeu.
Os resultados deverão ser utilizados nas negociações com potenciais clientes siderúrgicos, parceiros comerciais e fabricantes de veículos da Europa e do Japão.
A iniciativa também permitirá aos compradores avaliar a intensidade de carbono do HBI e estimar os possíveis custos relacionados à importação do produto para o mercado europeu.
Quando uma unidade produtora não fornece informações próprias sobre suas emissões, os importadores podem recorrer a valores-padrão estabelecidos pela Comissão Europeia. Para que sejam utilizados dados reais da operação, entretanto, os cálculos precisam seguir a metodologia aplicável e ser verificados por um organismo acreditado.
Bureau Veritas busca acreditação para o CBAM
A Comissão Europeia ainda não divulgou a relação de verificadores de CBAM acreditados. O Bureau Veritas já solicitou a acreditação, e a Brazil Iron espera que o grupo esteja entre os primeiros organismos autorizados, caso o processo seja aprovado.
Com a verificação independente, as emissões efetivamente registradas pela Brazil Iron poderão ser consideradas no cálculo do CBAM. Para os clientes europeus, a expectativa é de maior previsibilidade em relação ao desempenho ambiental do HBI e aos custos associados à entrada do produto no mercado.
A Brazil Iron também planeja implantar o monitoramento operacional e realizar verificações independentes nos períodos anuais de prestação de informações ao CBAM. Dessa forma, os dados projetados utilizados atualmente poderão ser substituídos gradualmente pelos registros efetivos da operação.
A entrada em operação do Projeto Ferro Verde está prevista para 2031. O cronograma, segundo a empresa, está condicionado à obtenção de financiamento, ao desenvolvimento do empreendimento e à obtenção das aprovações ambientais necessárias.
Voltar
O post Projeto Ferro Verde da Brazil Iron terá rastreamento de emissões de CO₂ apareceu primeiro em Revista Mineração.



