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    Plantas consideradas extintas são reencontradas em áreas protegidas de Minas Gerais

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    Pesquisa do Projeto de Conservação de Espécies do Campo Rupestre identificou novas populações de plantas raras nos campos rupestres do Quadrilátero Ferrífero

    Cipocereus minensis, uma espécie de cacto (Foto: Divulgação/ Projeto de Conservação Campos Rupestres)

    A natureza mostra que é possível recomeçar com preservação e uso consciente. Duas espécies de plantas consideradas extintas na natureza foram encontradas novamente em áreas protegidas do Quadrilátero Ferrífero, em Minas Gerais. A descoberta foi feita durante pesquisas realizadas em áreas de conservação entre os municípios de Itabirito, Rio Acima, Santa Bárbara e Ouro Preto.

    As espécies Paepalanthus magalhaesii e Coracoralina amoena não eram registradas na natureza havia cerca de 30 anos. Conhecidas como sempre-vivas ou chuveirinhos, elas são características dos campos rupestres, um ambiente encontrado principalmente em regiões de altitude e que reúne uma grande variedade de espécies, muitas delas exclusivas desse ecossistema.

    Por que essas plantas são importantes?

    Os campos rupestres apresentam condições difíceis para a sobrevivência das plantas. O solo costuma ter poucos nutrientes, há períodos de pouca água e as áreas estão sujeitas a forte exposição ao sol, ventos e grandes variações de temperatura.

    Essas condições fizeram com que muitas espécies desenvolvessem características próprias para sobreviver. Por isso, os campos rupestres são considerados áreas de grande importância para a conservação da biodiversidade.

    A localização de novas populações também ajuda os pesquisadores a compreender melhor onde essas plantas vivem, como se reproduzem e quais condições são necessárias para sua conservação.

    Uma espécie pode ser considerada extinta e reaparecer?

    O desaparecimento de uma espécie dos registros científicos não significa necessariamente que ela tenha desaparecido completamente da natureza.

    Segundo o botânico Cássio van den Berg, professor da Universidade Estadual de Feira de Santana (UEFS), algumas plantas podem permanecer por décadas sem serem encontradas, especialmente quando vivem em áreas de difícil acesso ou ocupam regiões muito específicas.

    Por isso, as pesquisas de campo são importantes para atualizar o conhecimento sobre a distribuição das espécies e identificar populações que ainda sobrevivem.

    Como o trabalho de conservação é realizado?

    A identificação das plantas ocorreu durante as atividades do Projeto de Conservação de Espécies do Campo Rupestre, iniciado em 2014 para estudar e proteger espécies da flora rupestre que estão sob risco.

    O projeto é desenvolvido pela Vale em parceria com universidades e instituições de pesquisa. A empresa disponibiliza áreas e recursos para as atividades, enquanto as instituições parceiras contribuem com especialistas, métodos científicos e estrutura para os estudos.

    As equipes realizam expedições e monitoramentos nas áreas preservadas para procurar novas populações e acompanhar as espécies já encontradas. A Vale mantém 13 Reservas Particulares do Patrimônio Natural (RPPNs) no Quadrilátero Ferrífero, que somam mais de 6 mil hectares e são utilizadas também para atividades de pesquisa e conservação.

    Parte das mudas e amostras coletadas é estudada em laboratórios da Universidade de São Paulo (USP), vinculados à Rede Propagar. O objetivo é desenvolver técnicas de germinação e conservação genética das espécies.

    Áreas protegidas também podem contribuir para a pesquisa

    Uma das áreas onde foram encontradas as espécies faz parte do conjunto de áreas de conservação preservadas pela Vale no Quadrilátero Ferrífero.

    A região possui diferentes tipos de vegetação, incluindo Mata Atlântica, Cerrado e campos rupestres, e abriga espécies que não são encontradas em outras partes do país.

    Entre as áreas de conservação estão as Reservas Particulares do Patrimônio Natural (RPPNs), unidades criadas em propriedades particulares para proteger ambientes naturais e contribuir para a conservação da biodiversidade.

    Mineração e conservação podem ocupar a mesma região?

    A descoberta também chama atenção para um desafio presente em regiões onde existem atividades de mineração: como conciliar o aproveitamento dos recursos minerais com a proteção da biodiversidade.

    Para pesquisadores, uma das estratégias é identificar áreas prioritárias para conservação e conhecer as espécies presentes antes da implantação ou expansão de atividades. Com essas informações, podem ser definidas áreas que devem permanecer protegidas e medidas para reduzir os impactos sobre a fauna e a flora.

    A existência de áreas protegidas próximas a regiões de mineração também pode contribuir para pesquisas de longo prazo, permitindo acompanhar espécies, estudar seus habitats e desenvolver estratégias de conservação.

    Outras iniciativas de conservação

    O uso de áreas protegidas e projetos de recuperação ambiental também ocorre em outras regiões onde há atividade mineral.

    No projeto Minas-Rio, em Minas Gerais, segundo a Anglo American, mais de 27 mil hectares de áreas de Cerrado e Mata Atlântica são protegidos pela empresa, além de ações voltadas à proteção de nascentes.

    Na Amazônia, a Mineração Rio do Norte (MRN) realiza projetos de recuperação de áreas mineradas. Em 2023, segundo dados da empresa, foram recuperados 318,8 hectares, com o plantio de aproximadamente 400 mil mudas de espécies nativas.

    Já no Vale do Ribeira, em São Paulo, a Nexa participa de iniciativas relacionadas ao Legado das Águas, área de conservação de Mata Atlântica.

    Essas ações mostram como áreas associadas à atividade mineral também podem ser utilizadas para conservação, recuperação de ambientes e produção de conhecimento científico.

    O que a descoberta ensina?

    O reencontro com espécies que não eram observadas há décadas reforça a importância das pesquisas de campo e da manutenção de áreas naturais protegidas.

    Além de ajudar a evitar a perda de espécies, esses espaços permitem que pesquisadores estudem a biodiversidade, coletem sementes e desenvolvam técnicas para conservar plantas que podem desaparecer em razão das mudanças no ambiente.

    No Quadrilátero Ferrífero, onde a mineração faz parte da história e da economia da região, a pesquisa mostra que conservação ambiental, ciência e atividade mineral também fazem parte de uma mesma realidade e precisam ser planejadas de forma integrada.

    Fonte: Radar Mineração

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