Startup de inteligência artificial foi avaliada em US$ 11 milhões e reuniu investidores com passagens por Vale, Seequent, Deswik e Fast2Mine.
A MineMind, startup de inteligência artificial voltada à mineração, captou US$ 1 milhão em uma rodada pré-seed que avaliou a companhia em US$ 11 milhões. Mais do que buscar capital, a empresa escolheu montar uma base de investidores formada por executivos e empreendedores com histórico no setor mineral.
Investidores com histórico no setor mineral
Entre eles estão Nick Fogarty, ex-executivo da Seequent, empresa adquirida pela Bentley Systems por cerca de US$ 1,05 bilhão; Edson Ribeiro, que construiu uma carreira de mais de três décadas na Vale e chegou a liderar áreas ligadas à exploração, recursos e reservas minerais; Francisco Bittencourt, ligado à trajetória da Deswik no Brasil e da Fast2Mine; e Mauro Sérvulo Delgado Santos, também com passagem pelas duas operações e que hoje acumula os postos de investidor, membro do board e vice-presidente de Planejamento de Mina da MineMind.
A estratégia foi intencional. Em um mercado marcado por ciclos longos, decisões técnicas críticas e forte peso de reputação, a MineMind optou pelo chamado smart money, trazendo para perto nomes capazes de contribuir não apenas com recursos, mas também com conhecimento técnico, relacionamento e credibilidade.
“A mineração é um mercado muito baseado em confiança. Poderíamos ter buscado apenas capital, mas queríamos pessoas que conhecessem profundamente a indústria e entendessem os problemas que estamos tentando resolver”, afirma Gustavo Usero, cofundador e CEO da MineMind.
A própria trajetória dos investidores ajuda a contar essa história. Fogarty entrou na ARANZ Geo, que depois se tornou Seequent, em 2013 e participou da expansão internacional do negócio antes da aquisição pela Bentley. Já Bittencourt e Sérvulo acompanharam a expansão brasileira da Deswik, posteriormente comprada pela Sandvik, e tiveram participação na trajetória da Fast2Mine, adquirida pela Weir em 2025.
Como funciona a plataforma de IA para mineração
A tese da MineMind é usar inteligência artificial sem romper com a infraestrutura tecnológica que já existe nas mineradoras. Em vez de substituir os sistemas usados há anos ou décadas, a startup quer funcionar como uma camada de inteligência e orquestração sobre essas ferramentas.
Na prática, a plataforma se conecta a softwares especializados do setor, automatiza tarefas, organiza fluxos de trabalho, analisa dados e executa etapas que antes dependiam de trabalho manual. A companhia define a solução como uma plataforma multiagente de IA para mineração, operada em linguagem natural e integrada a sistemas especializados.
A lógica é aumentar a produtividade sem retirar do geólogo ou do engenheiro a decisão final. Segundo a companhia, processos técnicos que antes poderiam levar quatro ou cinco semanas podem ser concluídos em algumas horas ou dias, permitindo que as equipes testem mais cenários antes de tomar decisões.
Um projeto já realizado pela empresa ajuda a ilustrar esse ganho. Em uma operação de metais preciosos, a MineMind foi chamada para reconstruir a rastreabilidade de um modelo geoestatístico criado anos antes. O profissional responsável já não estava mais na companhia, e a equipe atual não conseguia interpretar os arquivos originais.
O trabalho envolveu a catalogação de centenas de arquivos e a reconstrução de 11 fases do fluxo histórico. A análise foi concluída em três dias, em um processo que, segundo a MineMind, poderia levar semanas pela abordagem tradicional.
Receita, modelo de negócio e próximos passos
A empresa começou a operar prestando serviços e consultoria para entender as dores das mineradoras antes de acelerar o desenvolvimento da plataforma. Hoje, combina receitas de software e serviços e fatura cerca de R$ 2 milhões. A meta é chegar a R$ 10 milhões até junho de 2027, sendo aproximadamente metade em receita recorrente de software e metade em serviços.
O modelo é B2B, com assinatura da plataforma cobrada por usuário. A referência atual é de aproximadamente US$ 2 mil mensais por assento.
Com os recursos da rodada, a MineMind pretende acelerar o desenvolvimento do produto e avançar ao longo da cadeia mineral. A empresa começou concentrada em geologia e agora quer ampliar a atuação para planejamento de minas, área que considera estratégica para o próximo estágio de crescimento.
A startup foi constituída em Delaware, nos Estados Unidos, para facilitar futuras rodadas internacionais, mas mantém a maior parte da equipe e da operação no Brasil.
A próxima captação já está no radar. A MineMind projeta realizar uma Série A em aproximadamente 12 meses, com uma rodada entre US$ 10 milhões e US$ 20 milhões.
Para Usero, a oportunidade está em construir uma companhia global de tecnologia para um mercado tradicionalmente dominado por empresas australianas, canadenses e americanas.
“Temos uma equipe majoritariamente brasileira construindo tecnologia para competir globalmente. Em mineração, pequenas melhorias de eficiência podem representar milhões de dólares, e é nessa oportunidade que queremos crescer”, finaliza.
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Com informações da assessoria de imprensa da MineMind.





