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    B3 QUER APROXIMAR PEQUENAS MINERADORAS DO MERCADO DE CAPITAIS

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    A sinalização foi feita por Flávia Mouta, diretora de Listagem e Relacionamento da B3, durante o Encontro de Executivos do Setor Mineral, promovido pela Agência para o Desenvolvimento e Inovação do Setor Mineral Brasileiro (ADIMB), na sede da B3, em São Paulo. O evento reuniu lideranças e especialistas para discutir o posicionamento estratégico do Brasil nas cadeias minerais globais, sob o tema “Avançar no presente para liderar no futuro”.

    Segundo a executiva, embora a Bolsa mantenha relacionamento consolidado com grandes companhias do setor, ainda existe espaço para avançar na conexão com empresas menores, responsáveis pelo desenvolvimento de projetos que poderão ampliar a produção mineral brasileira nos próximos anos.

    “Talvez o ponto mais importante que a gente gostaria de deixar aqui como mensagem é que queremos estreitar ainda mais a relação da B3 com o setor mineral”, afirmou. Flávia reconheceu que a instituição precisa ampliar sua atuação junto às empresas que estão começando sua trajetória de desenvolvimento mineral.

    “A gente tem listagem de companhias muito grandes, mas como a gente se aproxima também das companhias que estão liderando o início dos seus projetos, das companhias menores que estão no início dessa jornada? Acho que a gente reconhece que tem um gap aqui e precisa intensificar essa agenda desde o seu momento muito inicial”, destacou.

    Mercado de capitais pode ajudar a viabilizar projetos minerais

    A diretora ressaltou que o Brasil reúne condições favoráveis para ampliar sua participação nas cadeias globais de minerais críticos e estratégicos, mas precisa encontrar mecanismos capazes de transformar essa vantagem geológica em desenvolvimento industrial e econômico.

    Para ela, o desafio não está apenas na disponibilidade de recursos minerais, mas na capacidade de agregar valor, desenvolver empreendimentos e mobilizar investimentos.

    “Como a gente usa todo o potencial que já tem, a posição privilegiada que o Brasil possui em minerais críticos, para alavancar ainda mais a nossa indústria? O desafio não é só ter os recursos, porque isso já é o óbvio. É como agregar mais valor e desenvolver esses projetos para que consigam estimular ainda mais a economia do país”, afirmou.

    A discussão ganha relevância diante do crescimento da demanda internacional por minerais utilizados na transição energética, na digitalização da economia e no desenvolvimento de novas tecnologias.

    Flávia também destacou que a recente edição da Política Nacional de Minerais Críticos e Estratégicos reforçou a importância do tema na agenda econômica brasileira.

    Bolsa quer ampliar alternativas de financiamento

    A executiva lembrou que a atuação da B3 vai além da negociação de ações. A instituição também oferece infraestrutura para o mercado de dívida, que permanece ativo mesmo em períodos de maior volatilidade do mercado acionário.

    “A gente tem um mercado de dívida ultra ativo. Temos um momento de volatilidade grande no mercado de ações, mas o mercado de dívida continua muito forte, em particular para o setor de infraestrutura”, observou.

    A B3 também mantém mecanismos que permitem a investidores brasileiros negociar certificados representativos de ações de empresas listadas no exterior, conhecidos como BDRs.

    Como exemplo, Flávia citou a Aura Minerals, companhia do setor mineral com negociação de seus papéis no mercado internacional e representação na Bolsa brasileira.

    Segundo ela, a instituição tem aprofundado conversas com bolsas internacionais especializadas no financiamento de empresas de mineração, buscando compreender seus modelos de funcionamento e identificar práticas que possam contribuir para o desenvolvimento do mercado brasileiro.

    A iniciativa é especialmente relevante para o segmento de empresas em estágio inicial, que frequentemente precisam captar recursos para financiar pesquisas geológicas, campanhas de sondagem, estudos de viabilidade e outras etapas anteriores ao início da produção.

    Flávia Mouta

    Integração entre mineração e investidores

    Para avançar nessa agenda, a B3 pretende fortalecer a articulação com instituições financeiras, investidores, órgãos públicos e entidades representativas da mineração.

    Flávia afirmou que a instituição possui uma carteira relevante de iniciativas em desenvolvimento, mas ressaltou que a aproximação entre mineração e mercado financeiro dependerá de um esforço conjunto.

    “Não é só a Bolsa que vai fazer isso, não é só a ADIMB, não é só a ANM. Acho que é uma combinação de esforços de todos nós e também dos bancos e investidores. Como a gente aproxima o restante do mercado para esse ecossistema?”, questionou.

    Na avaliação da diretora, o Brasil já dispõe de recursos minerais e capacidade tecnológica, mas precisa aprimorar a conexão entre os projetos e os instrumentos de financiamento.

    “A gente já possui o recurso, já tem tecnologia a nosso serviço no Brasil. Como estreitamos esse gap do setor com o mercado de capitais, com a captação de recursos para desenvolvimento do potencial que temos aqui, ligando o que está por baixo da nossa terra com o mercado de capitais, o mercado financeiro?”, afirmou.

    Uma nova agenda para o financiamento da mineração

    A aproximação defendida pela B3 ocorre em um momento em que o Brasil busca ampliar sua presença nas cadeias internacionais de minerais críticos, como lítio, cobre, grafite, nióbio e terras raras.

    Embora o país possua importantes recursos minerais, o desenvolvimento de novos empreendimentos depende de investimentos de longo prazo e da capacidade de financiar diferentes etapas, desde a pesquisa mineral até a implantação das operações.

    Nesse contexto, o fortalecimento do mercado de capitais pode representar uma alternativa para diversificar as fontes de financiamento do setor, especialmente para empresas que ainda não atingiram a fase de produção comercial.

    A sinalização da B3 aponta para uma agenda de aproximação com esse segmento, embora a executiva não tenha anunciado, durante sua apresentação, novos instrumentos específicos de captação ou um cronograma para sua implementação.

    Ao encerrar sua participação, Flávia reforçou que a missão da Bolsa está diretamente associada ao desenvolvimento econômico do país.

    “Se não for para gerar crescimento econômico, a Bolsa perde muito do seu valor”, concluiu.

    O post B3 QUER APROXIMAR PEQUENAS MINERADORAS DO MERCADO DE CAPITAIS apareceu primeiro em Revista In The Mine.

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