A Atlas Critical Minerals divulgou a primeira estimativa de recursos minerais do projeto de grafite localizado em Malacacheta, Minas Gerais, com um total de 24,2 milhões de toneladas de minério. O recurso contém cerca de 1,36 milhão de toneladas de carbono grafítico, segundo levantamento elaborado pela SGS Canada.
A estimativa considera apenas uma parte da área mineralizada identificada pela companhia. Os trabalhos realizados até agora abrangem cerca de 2,5 quilômetros de um corredor de mineralização com aproximadamente 11 quilômetros de extensão.
Dos recursos estimados, 17,2 milhões de toneladas estão na categoria indicada, com teor médio de 5,73% de carbono grafítico. Outros 7 milhões de toneladas foram classificados como recursos inferidos, com teor médio de 5,40%.
O estudo integra o relatório técnico do projeto encaminhado pela empresa à SEC, reguladora do mercado de capitais norte-americano. A Atlas Critical Minerals é listada na Nasdaq e apresenta valor de mercado de aproximadamente US$ 15 milhões.
Campanha de exploração encontrou grafite próximo à superfície
Os dados utilizados na estimativa foram obtidos durante uma campanha de sondagem realizada ao longo de 2026. A empresa executou 21 furos, que totalizaram 2.393,9 metros. Segundo a Atlas, todos os furos apresentaram intervalos considerados significativos de grafite.
Entre os resultados registrados estão 43,1 metros com 6,20% de carbono grafítico e 17,3 metros com 10,62%. Outro dado destacado pela companhia é a proximidade da mineralização em relação à superfície: 11 dos 21 furos encontraram grafite nos primeiros dez metros de profundidade.
A área utilizada para a primeira estimativa corresponde a aproximadamente 997 hectares. O projeto completo, no entanto, é composto por três áreas contíguas, que somam cerca de 2.822 hectares.
A Atlas planeja avançar com a exploração nos 8,5 quilômetros restantes do corredor mineralizado, além de realizar perfurações para verificar a continuidade do depósito em profundidade.
Potencial para mineração a céu aberto
De acordo com Marc Fogassa, presidente do conselho e CEO da Atlas Critical Minerals, a estimativa divulgada representa apenas uma parcela do potencial identificado no projeto.
O executivo destaca que as sondagens realizadas até agora se concentraram em aproximadamente 2,5 quilômetros de um corredor de 11 quilômetros e em apenas uma das três áreas que compõem o empreendimento.
A SGS Canada avalia que as características geológicas identificadas até o momento podem permitir o desenvolvimento de uma futura operação de mineração a céu aberto.
A companhia também afirma que, em uma comparação com dados técnicos públicos, o projeto Malacacheta apresenta o maior recurso de grafite reportado na América do Sul de acordo com padrões internacionais de divulgação mineral, considerando a quantidade de carbono grafítico contido.
Outro parâmetro apresentado pela empresa é o teor de carbono grafítico. Os 5,73% registrados nos recursos indicados de Malacacheta são, segundo a Atlas, aproximadamente 25% superiores aos 4,6% informados para os recursos medidos e indicados do projeto Graphite Creek, no Alasca, considerando o mesmo teor de corte de 2%.
Grafite pode atender aplicações em baterias e setor nuclear
Além da expansão da campanha de sondagem, a Atlas prevê avançar nos estudos para determinar as características e possibilidades de aproveitamento do minério.
A empresa informa que amostras do projeto foram processadas e qualificadas por um laboratório norte-americano para avaliar seu potencial de utilização em baterias de veículos elétricos e reatores nucleares.
As próximas etapas incluem novos furos de sondagem e testes metalúrgicos. A companhia também planeja concluir uma avaliação econômica preliminar no segundo trimestre de 2027.
A estimativa inicial amplia o conhecimento sobre o depósito de Malacacheta, mas a própria companhia ressalta que uma parcela significativa do corredor mineralizado ainda será objeto de investigação.
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