sexta-feira, 19 de junho de 2026
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    O Brasil tem uma das maiores riquezas de minerais críticos, mas produz pouco

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    O Brasil está entre os países com maiores reservas de minerais essenciais para a economia do futuro, mas ainda aproveita apenas parte desse potencial. É o que mostra um estudo apresentado durante o Seminário Internacional de Minerais Críticos e Estratégicos 2026, organizado pelo Instituto Brasileiro de Mineração (IBRAM), em Brasília.

    Minerais críticos e estratégicos são matérias-primas sem as quais boa parte das tecnologias modernas simplesmente não funciona. Estão dentro de baterias de carros elétricos, painéis solares, turbinas eólicas, celulares, computadores e equipamentos de inteligência artificial. Entre os mais importantes estão o lítio, as terras raras, o cobre, o níquel, a grafita, o manganês e o cobalto. 

    O levantamento foi elaborado pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), em parceria com a Agência Nacional de Mineração (ANM), e analisou 13 minerais estratégicos para a economia global. Embora o Brasil possua algumas das maiores reservas desses recursos no mundo, a produção nacional não acompanha esse potencial.

    Entre 2017 e 2023 a produção brasileira ficou parada ou cresceu menos do que a de outros países mineradores. O caso da grafita e das terras raras é o mais revelador. O Brasil tem a segunda maior reserva mundial desses minerais, mas produz menos do que Austrália e África do Sul, países com reservas menores. 

    Para Rafael Leão, pesquisador do Ipea e um dos autores do estudo, o desafio central é transformar a riqueza mineral do subsolo em produção real e geração de valor. “O principal resultado do estudo é a diferença entre potencial e realidade. O Brasil possui reservas muito relevantes, mas sua produção não acompanhou esse potencial na maioria das substâncias analisadas”, explicou durante o seminário.

    Por que esses minerais importam tanto 

    A demanda por esses minerais cresce em todo o mundo porque a mudança para fontes de energia menos poluentes depende deles, em grande parte. Um carro elétrico usa mais desses minerais do que um carro a gasolina. O mesmo vale para turbinas eólicas, baterias de armazenamento de energia e equipamentos eletrônicos cada vez mais sofisticados.

    Por isso, governos e empresas têm buscado garantir o acesso a esses recursos, considerados fundamentais para a segurança energética e tecnológica dos países.

    O Brasil tem espaço para crescer

    O estudo também analisou os investimentos realizados no setor mineral brasileiro e identificou sinais positivos. A partir de 2023 houve aumento significativo dos recursos destinados à pesquisa mineral, à abertura de novas minas e à aquisição de equipamentos.

    Os investimentos estão concentrados principalmente em projetos de lítio, cobre e terras raras, minerais que estão entre os mais demandados pela economia global.

    Para os pesquisadores, esse movimento pode representar uma mudança importante nos próximos anos. Caso os investimentos continuem crescendo, o Brasil poderá ampliar sua produção e conquistar maior participação no mercado internacional durante a próxima década.

    Além disso, o cenário geopolítico mundial tem aumentado o interesse de investidores estrangeiros pelo país. Com a busca de Estados Unidos, Europa e Japão por fornecedores alternativos de minerais estratégicos, o Brasil passou a ser visto como um parceiro importante para diversificar o abastecimento global.

    Desafio vai além da mineração

    O estudo destaca que o desafio brasileiro não está apenas em extrair mais minerais, mas também em agregar valor à produção.

    Atualmente, grande parte dos minerais é exportada como matéria-prima. Os pesquisadores defendem que o país avance também nas etapas de processamento, refino e transformação industrial, que geram mais empregos, tecnologia e renda.

    Segundo o levantamento, fortalecer a indústria ligada aos minerais estratégicos será fundamental para que o Brasil aproveite plenamente sua posição privilegiada no cenário global e amplie sua participação nas cadeias produtivas associadas à transição energética e às novas tecnologias.

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