O desenvolvimento da cadeia de minerais críticos e terras raras pode acrescentar R$ 192,1 bilhões ao PIB brasileiro e gerar 750 mil empregos até 2050, segundo estudo inédito da Amcham Brasil apresentado nesta terça-feira (4), em Belo Horizonte (MG).
O levantamento compara dois cenários. No primeiro, os investimentos são majoritariamente nacionais e a produção é destinada principalmente à exportação, com baixa agregação de valor. Nesse modelo, o impacto acumulado no PIB seria de R$ 128,7 bilhões, com 304 mil empregos.
Já o segundo cenário considera maior entrada de capital estrangeiro, expansão do processamento mineral no Brasil e aumento do consumo desses insumos pela indústria nacional. A estimativa é de R$ 120,9 bilhões em investimentos, R$ 192,1 bilhões de impacto no PIB e 750 mil empregos.
Na comparação entre os modelos, a maior agregação de valor no país poderia acrescentar R$ 63,4 bilhões ao PIB, R$ 32,3 bilhões ao consumo das famílias, R$ 16,1 bilhões aos investimentos e 446 mil empregos.
“O Brasil reúne algumas das maiores reservas de minerais críticos do mundo e tem todas as condições para se tornar um protagonista global nesse mercado. Quanto maior a capacidade de atrair investimentos, maior será a transformação dessa riqueza mineral em valor, tecnologia, empregos e desenvolvimento industrial e econômico”, afirma o presidente da Amcham Brasil, Abrão Neto.
Impactos em Minas Gerais e outros estados
Os maiores impactos sobre o PIB estão nos estados produtores, com destaque para Pará (16%), Bahia (10,3%), Goiás (10%), Piauí (4%) e Minas Gerais (3,8%).
O processamento dos minerais no país também amplia os benefícios para regiões industriais, principalmente Santa Catarina, Minas Gerais, São Paulo e Paraná.
Entre os setores beneficiados, a indústria de transformação teria crescimento acumulado de 1,8% no cenário de maior agregação de valor. Também aparecem a construção civil (4,5%) e a indústria extrativa (4,2%).
O estudo considera as cadeias de cobre, grafita, lítio, níquel e terras raras, minerais estratégicos para a produção de baterias, veículos elétricos, turbinas eólicas e equipamentos eletrônicos.
Para a Amcham, o Brasil precisa avançar na atração de investimentos, no processamento e na industrialização dos minerais. A entidade também defende a aprovação da Política Nacional de Minerais Críticos e Estratégicos, além do fortalecimento de mecanismos de financiamento e do ambiente regulatório.
O estudo foi elaborado por pesquisadores da UFMG e da UFJF, com apoio da U.S. Chamber of Commerce e de empresas do setor.
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