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    Mineração responde por 48% do saldo comercial no 1º semestre e IBRAM alerta para risco do imposto seletivo

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    Superávit mineral alcançou US$ 20,3 bilhões. Às vésperas de ser regulamentado, imposto seletivo é ameaça à competitividade da mineração, e guerra no Golfo Pérsico eleva os preços do enxofre e do ácido sulfúrico, prejudicando cadeias industriais e o agronegócio, segundo o IBRAM.

    Brasília, 28/7/2026 – A indústria mineral respondeu por US$ 20,3 bilhões, ou 48%, do saldo da balança comercial brasileira no primeiro semestre de 2026. O minério de ferro respondeu por 53,6% das exportações minerais brasileiras, mais uma vez sendo decisivo para manter o saldo positivo. O resultado reforça a preocupação do Instituto Brasileiro de Mineração (IBRAM) com a iminente regulamentação do imposto seletivo, que poderá elevar os custos das exportações de minério de ferro e reduzir a competitividade do Brasil no mercado internacional.

    Foi o que disse o presidente do IBRAM, Pablo Cesário a jornalistas em entrevista coletiva nesta terça-feira, 28 de julho, ao apresentar os dados de desempenho da indústria da mineração no primeiro semestre. Acesse o levantamento completo no site do IBRAM.

    – O imposto seletivo para o setor é, na prática, um imposto sobre a exportação de minério de ferro. Não existe nenhum imposto seletivo no mundo que inclua a mineração, já que ele tem outra destinação e não tem nada a ver com minério. Se este novo tributo vier a incidir sobre o setor, teremos o real risco de reduzir a competitividade das empresas brasileiras no mercado internacional”, afirmou, acrescentando que o seletivo poderá produzir efeitos negativos sobre a balança comercial e a geração de divisas pelo país, como mostram os dados divulgados pelo Instituto.

    O saldo mineral cresceu 25,36% em relação ao primeiro semestre de 2025 e o superávit comercial brasileiro alcançou US$ 42,36 bilhões (+ de 40% de aumento). As exportações minerais somaram US$ 25,1 bilhões, alta de 24,1% em relação ao mesmo período de 2025, e alcançaram 196,2 milhões de toneladas, avanço de 2,4%. As importações totalizaram US$ 4,8 bilhões, crescimento de 18,9%, e 20,9 milhões de toneladas, aumento de 6,7%.

    A regulamentação do tributo, por decreto do Poder Executivo, pode estabelecer até um teto de 0,25%, para a alíquota que será aplicada ao setor. O IBRAM defende a alíquota zero. A entidade também atua pela derrubada, no Congresso Nacional, do veto que permite a incidência do Imposto Seletivo sobre bens minerais destinados à exportação. “Não se pode, não se deve taxar exportações”, declarou o dirigente do IBRAM.

    Preço do enxofre e do ácido sulfúrico afetam setor industrial e agro

    Pablo Cesário também alertou para o esperado impacto de aumento de custos no agronegócio brasileiro por causa dos riscos de oferta global de enxofre em virtude da guerra entre EUA, Israel e Irã. É consequência do bloqueio do Estreito de Ormuz, rota por onde passa metade do enxofre comercializado por via marítima no mundo. O dirigente fez este mesmo alerta, no dia 16 de julho, ao ministro da Fazenda, Dario Durigan.

    A guerra entre EUA, Israel e Irã provocou alta de mais de 1.200% no preço do produto desde janeiro de 2024, disse Cesário. As importações brasileiras de enxofre caíram 41,9% no primeiro semestre de 2026, e o país prevê o fechamento, em setembro, das duas últimas unidades de produção de ácido sulfúrico em operação no território nacional. Este ácido é fabricado a partir do enxofre e é muito utilizado em várias cadeias econômicas, como: fertilizantes; minerais críticos; saneamento; indústria química; papel e celulose; e biocombustíveis.

    Minério de ferro sustenta exportações minerais

    Os dados divulgados pelo IBRAM mostram que as vendas externas de minério de ferro alcançaram US$ 13,43 bilhões, crescimento de 5,2% em relação ao mesmo período de 2025. O volume exportado aumentou 2,4% e chegou a 189,4 milhões de toneladas.

    O faturamento do minério de ferro apresentou queda de 3,1% no semestre, para R$ 71,2 bilhões. A substância ainda concentrou 47,2% da receita total da indústria mineral.

    O IBRAM considera que o setor brasileiro já enfrenta uma desvantagem logística diante da Austrália, principal concorrente do país nesse mercado. A distância dos mercados asiáticos eleva o custo do produto nacional. Uma nova cobrança tributária pode reduzir margens, afetar investimentos e retirar operações brasileiras de mercados disputados por produtores internacionais.

    “Os australianos estão muito mais próximos de mercados consumidores de minério de ferro situados no Sudeste Asiático, além da Índia. Já enfrentamos custos logísticos maiores. Qualquer aumento de tributação pode comprometer nossa competitividade e até retirar empresas brasileiras desses mercados”, disse Pablo Cesário.

    Exportações de ouro crescem 69,3%

    O ouro registrou uma das maiores altas entre as principais substâncias exportadas. As vendas externas alcançaram US$ 4,6 bilhões, crescimento de 69,3% em relação ao primeiro semestre de 2025. O produto respondeu por 18,3% das exportações minerais em valor. Devido a inconsistências identificadas nos dados de volume disponíveis no Comex Stat, o IBRAM não divulgou nesta coletiva a quantidade de ouro exportada. Essas informações serão apresentadas após a revisão dos registros.

    As exportações de cobre também avançaram, com alta de 83,8%, para US$ 3,87 bilhões. As vendas externas de nióbio somaram US$ 1,4 bilhão, crescimento de 13,6%. 

    A China permaneceu como o principal destino da produção mineral brasileira e recebeu 70,1% do volume exportado pelo setor no semestre.

    Mineração fatura R$ 150,7 bilhões e recolhe R$ 52 bilhões em tributos 

    Segundo o IBRAM, o faturamento da indústria mineral chegou a R$ 150,7 bilhões no primeiro semestre, alta de 8,2% sobre os R$ 139,2 bilhões registrados no mesmo período de 2025. O ouro apresentou faturamento de R$ 25,3 bilhões, crescimento de 44,2%. O cobre alcançou R$ 20,6 bilhões, com alta de 41%. Minas Gerais liderou a receita mineral, com 38,2% do total (R$ 57,6 bilhões), seguido pelo Pará, com 34,6% (R$ 52,2 bilhões), e pela Bahia, com 5% (R$ 7,5 bilhões).

    A arrecadação de impostos, tributos e taxas somou R$ 52 bilhões, avanço de 8,2%. Desse montante, R$ 3,8 bilhões corresponderam à Compensação Financeira pela Exploração Mineral (CFEM), resultado 3,6% superior ao do primeiro semestre de 2025.

    De acordo com dados do Novo Caged de maio, a indústria extrativa mineral registrava 229.614 empregos diretos, excluídos petróleo e gás. Entre janeiro e maio, o setor criou 421 vagas formais.

    Investimentos previstos somam US$ 76,9 bilhões

    A carteira de investimentos da indústria mineral para o período de 2026 a 2030 permanece estimada em US$ 76,9 bilhões, valor 12,5% superior ao previsto para o ciclo anterior. Os projetos relacionados a minerais críticos, entre eles cobre, níquel, terras raras, grafita, lítio, nióbio e zinco, concentram US$ 21,3 bilhões. A estimativa representa crescimento de 15,2% em comparação com a projeção para 2025 a 2029. Para o IBRAM, a manutenção desses investimentos depende de segurança jurídica, previsibilidade tributária e condições que preservem a capacidade do setor de competir no mercado internacional.

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