Mais
    InícioNotíciasMineração brasileira registra US$ 8,2 bilhões em negócios desde 2025

    Mineração brasileira registra US$ 8,2 bilhões em negócios desde 2025

    Publicado em

    O mercado de fusões e aquisições na mineração brasileira movimentou US$ 8,2 bilhões desde janeiro de 2025, refletindo o interesse internacional por recursos minerais estratégicos e a reorganização dos portfólios de grandes companhias do setor. Os dados são de um levantamento da consultoria Alvarez & Marsal (A&M), divulgado em outubro de 2026.

    De acordo com o estudo, foram identificadas 13 transações com valores divulgados entre janeiro de 2025 e 2 de outubro de 2026. Desse total, oito operações, que representam US$ 4,6 bilhões, já foram concluídas. As outras cinco, avaliadas em US$ 3,6 bilhões, ainda dependem de aprovações ou da finalização dos processos.

    Somente em 2026, os negócios anunciados alcançaram US$ 5,9 bilhões, volume 2,6 vezes superior aos US$ 2,3 bilhões registrados durante todo o ano de 2025. Além das transações contabilizadas, o levantamento aponta a existência de mais de dez operações menores ou sem valores divulgados.

    Para Rafael Marchi, sócio-diretor da A&M Infra, o avanço das negociações está relacionado à importância geopolítica dos recursos minerais. A busca por fornecedores alternativos e o interesse em reduzir a dependência de cadeias produtivas concentradas em determinados países têm ampliado a atenção de investidores sobre os ativos brasileiros.

    Terras raras concentram 42% do valor das operações

    As terras raras ocupam posição de destaque no movimento de consolidação do setor mineral. Duas transações envolvendo esses elementos correspondem a 42% do valor total identificado pela consultoria.

    Uma delas é a aquisição da Serra Verde, empresa responsável pela mina e pela unidade de processamento Pela Ema, em Minaçu (GO), pela norte-americana USA Rare Earth. Concluída em setembro de 2026, a operação foi avaliada em US$ 2,8 bilhões.

    O segundo negócio envolve a australiana Lynas Rare Earths, que anunciou um acordo para adquirir a Meteoric Resources por aproximadamente US$ 672 milhões. A empresa australiana controla o Projeto Caldeira, empreendimento de terras raras localizado em Minas Gerais.

    Segundo Marchi, o chamado prêmio geopolítico associado aos minerais críticos não se limita ao preço pago pelas empresas. Ele também está relacionado à capacidade de transformar projetos em operações produtivas e estabelecer referências para investimentos futuros no segmento.

    Grandes mineradoras colocam ativos à venda

    Embora as terras raras estejam entre os principais fatores de atração de capital, o movimento também envolve outros segmentos da mineração.

    Entre as transações de maior valor estão a venda da participação de 64,7% da Votorantim na Nexa Resources para a sueca Boliden, estimada em US$ 1,31 bilhão; a negociação dos ativos brasileiros de ouro da Equinox Gold com a chinesa CMOC, por até US$ 1,015 bilhão; e a operação envolvendo a Chalco e a Rio Tinto para assumir o controle da Companhia Brasileira de Alumínio (CBA), avaliada em US$ 903 milhões no levantamento.

    A consultoria identifica uma tendência de revisão de portfólios por grandes grupos internacionais e nacionais. Empresas como Anglo American, BHP, Equinox Gold, AngloGold Ashanti, Mosaic, South32 e Votorantim venderam ativos brasileiros ou colocaram operações à venda.

    Na outra ponta, empresas chinesas, companhias especializadas em determinados minerais e grupos interessados em ampliar sua presença no mercado têm ganhado espaço.

    Empresas chinesas ampliam participação

    Segundo a A&M, compradores chineses respondem por cerca de 30% do valor anunciado nas transações analisadas, considerando negócios envolvendo CMOC, Chalco e MMG.

    Desde 2025, cinco ativos em operação no Brasil foram adquiridos ou estão em processo de aquisição por grupos chineses, quando também são consideradas operações anteriores realizadas por Baiyin e CNMC.

    O interesse estrangeiro alcança diferentes minerais estratégicos. Um exemplo é o acordo firmado pela MMG para adquirir ativos de níquel da Anglo American em Goiás e no Pará, por até US$ 500 milhões. A conclusão do negócio ainda depende de análise regulatória na União Europeia.

    Para Marchi, a relevância geopolítica da mineração não está restrita às terras raras. O níquel, por exemplo, também tem importância para a cadeia de baterias e para a disputa internacional pelo fornecimento de matérias-primas.

    Regulação e verticalização entram no radar

    O levantamento também aborda os efeitos das mudanças regulatórias brasileiras sobre os negócios com minerais críticos. Na avaliação de Marchi, não há evidências de que as empresas tenham antecipado aquisições especificamente para se antecipar às novas regras.

    Segundo o executivo, a discussão regulatória chegou a gerar insegurança e atrasar alguns processos. Ainda assim, ele avalia que o conselho responsável pela análise de operações estratégicas tende a funcionar como uma etapa adicional de validação, sem necessariamente representar um impedimento generalizado às transações.

    Outro movimento observado é a preparação de empresas para ampliar a verticalização da cadeia mineral no Brasil. A estratégia busca incorporar etapas de processamento e transformação industrial ao país, agregando valor aos recursos extraídos.

    Novos negócios podem ampliar o volume de investimentos

    A perspectiva de continuidade das fusões e aquisições permanece no radar do mercado. Entre as operações em discussão estão a venda conjunta do Porto Sudeste e da Mineração Morro do Ipê, cujos vendedores buscam aproximadamente US$ 5 bilhões, além de processos envolvendo a BAMIN e uma participação minoritária na LHG Mining.

    Até a data de corte do levantamento, nenhuma dessas três operações havia sido assinada.

    O conjunto das negociações indica que a mineração brasileira permanece no foco de investidores internacionais, em um cenário no qual o acesso a matérias-primas estratégicas, a reorganização de ativos e a busca por novas cadeias de fornecimento influenciam as decisões de capital.

     

    Voltar

    O post Mineração brasileira registra US$ 8,2 bilhões em negócios desde 2025 apareceu primeiro em Revista Mineração.

    São Paulo
    nublado
    21.2 ° C
    23 °
    20.3 °
    80%
    5.7m/s
    100%
    ter
    22 °
    qua
    28 °
    qui
    25 °
    sex
    21 °
    sáb
    25 °

    Notícias recentes

    G Mining eleva produção de ouro em 22% e mantém projeção anual

    A G Mining Ventures ampliou a produção de ouro no terceiro trimestre de 2026...

    Pelo menos 18 grupos estrangeiros mantêm projetos de terras raras no País

    Um levantamento do jornal Folha de S. Paulo aponta que ao menos 18 empresas...

     SSR Acquires Roxmore, Updates Marigold Plan

    SSR Mining Inc. announced that it will acquire all shares of Roxmore Resources Inc....

    leia mais

    G Mining eleva produção de ouro em 22% e mantém projeção anual

    A G Mining Ventures ampliou a produção de ouro no terceiro trimestre de 2026...

    Pelo menos 18 grupos estrangeiros mantêm projetos de terras raras no País

    Um levantamento do jornal Folha de S. Paulo aponta que ao menos 18 empresas...

     SSR Acquires Roxmore, Updates Marigold Plan

    SSR Mining Inc. announced that it will acquire all shares of Roxmore Resources Inc....