A Largo Inc. recebeu autorização da Agência Nacional de Mineração (ANM) para produzir e comercializar cobre e metais do grupo da platina (PGMs) como subprodutos da Mina Maracás Menchen, em operação na Bahia. A empresa, uma das principais produtoras primárias de vanádio do mundo, informou nesta segunda-feira (10) que iniciou a preparação para ampliar a produção desses minerais.
A autorização permite à companhia recuperar, além do cobre e dos metais do grupo da platina, elementos como níquel e cobalto a partir do minério já processado na unidade. Testes industriais realizados pela Largo em 2026 indicaram potencial técnico e comercial para a produção de um concentrado de cobre com platina, ouro, paládio, prata, cobalto e níquel.
Segundo a empresa, a produção do concentrado de cobre-PGM utilizará a infraestrutura de flotação de ilmenita já existente na mina. Com isso, a Largo pretende acelerar a entrada de uma nova fonte de receita sem a necessidade de construir uma estrutura completamente nova.
Como parte da estratégia, a companhia suspenderá temporariamente a produção de concentrado de ilmenita para priorizar o cobre e os metais do grupo da platina. A empresa pretende estudar, nos próximos meses, equipamentos adicionais que permitam recuperar a ilmenita a partir dos rejeitos gerados durante a flotação do concentrado de cobre.
A expectativa da Largo é que o novo concentrado apresente margens de lucro superiores às obtidas com a produção de ilmenita, caso a operação alcance escala comercial.
A companhia também negocia com fundições e comerciantes as condições para realizar o primeiro embarque do concentrado de cobre-PGM.
A Largo informou que deverá apresentar uma projeção de produção e vendas desses concentrados em seu próximo balanço trimestral, previsto para 14 de agosto, à medida que avança na expansão da produção.
O presidente-executivo e co-CEO da Largo, Alberto Arias, classificou a autorização da ANM como um marco estratégico para levar a produção de cobre e PGM à etapa comercial. Segundo ele, os testes industriais demonstraram a possibilidade de produzir um concentrado comercial utilizando o circuito de flotação já instalado.
O co-CEO Jim Bannantine destacou que a equipe brasileira conseguiu avançar da identificação da oportunidade de recuperação de cobre e PGM, no fim de 2025, para o início da produção em poucos meses. De acordo com o executivo, o projeto também pode reduzir o desperdício de metais críticos e aumentar o aproveitamento dos recursos minerais da companhia.
A Largo informou ainda que continua estudando formas de melhorar a recuperação dos metais e negociar condições comerciais favoráveis para os novos produtos autorizados pela ANM.
Estratégia de diversificação
A entrada no mercado de cobre e metais preciosos faz parte da estratégia da Largo para diversificar suas receitas e aproveitar melhor os recursos minerais da Mina Maracás Menchen.
De acordo com a companhia, o projeto utiliza minério que já é extraído e estruturas de processamento existentes. A iniciativa pode, portanto, ampliar o aproveitamento dos recursos minerais e criar uma nova fonte de receita com investimentos adicionais potencialmente menores do que os exigidos por um projeto independente.
Além do vanádio, a operação baiana já está associada à produção de titânio e ferro. A empresa avalia que a recuperação de cobre, PGMs, níquel e cobalto reforça o potencial da mina como fonte de minerais críticos e metais preciosos.
A oportunidade de recuperação desses elementos foi identificada no fim de 2025. Desde então, a companhia afirma ter avançado rapidamente dos testes industriais para a preparação do início da produção comercial.
A Largo também possui participação de 37,4% na Storion Energy, empresa voltada à produção de eletrólitos para sistemas de armazenamento de energia de longa duração com baterias de fluxo de vanádio.
Além dos ativos no Brasil, a companhia detém projetos de tungstênio e molibdênio no Canadá e um projeto de tungstênio próximo a Natal, no Rio Grande do Norte.
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