A Vale recebeu autorização para ampliar o reaproveitamento de rejeitos de minério de ferro no Complexo de Vargem Grande, em Nova Lima, e da Mina do Pico, em Itabirito, ambos em Minas Gerais. A decisão foi aprovada pelo Conselho Estadual de Política Ambiental (Copam) em 23 de outubro e contempla mudanças nas operações, incluindo o aumento do volume de materiais destinados a estruturas de disposição.
Com a licença ambiental, a mineradora poderá elevar em 2,5 mil toneladas por ano o reaproveitamento de rejeitos provenientes da barragem Maravilhas II. A capacidade autorizada passará a 8.129 toneladas anuais. O material será encaminhado à Instalação de Tratamento de Minério (ITM) da mina do Pico, onde será processado para recuperar o minério de ferro presente nos rejeitos.
A aprovação ocorreu por unanimidade entre os 12 conselheiros presentes. O colegiado reúne representantes de órgãos públicos, entidades empresariais, organizações não governamentais e da Universidade do Estado de Minas Gerais (Uemg).
Ampliação contempla cavas do complexo de Vargem Grande
Além do aumento da capacidade de reaproveitamento, a autorização permite ampliar o volume de rejeitos que poderão ser destinados à cava Galinheiro. A estrutura poderá receber mais 457,8 mil metros cúbicos, alcançando uma capacidade total autorizada de aproximadamente 2,3 milhões de metros cúbicos.
A medida está relacionada ao processo de descaracterização da barragem Vargem Grande. Segundo informações apresentadas pela Vale à Fundação Estadual do Meio Ambiente (Feam), o material acumulado nessa estrutura passou a ser direcionado à cava Galinheiro com base em uma licença ambiental concedida em 2025.
A empresa justificou que a capacidade inicialmente prevista não foi suficiente para acomodar o volume de material. Um dos fatores apontados foi o desempenho do reaproveitamento abaixo do esperado, que reduziu a vazão dos rejeitos e comprometeu o planejamento inicial de destinação.
Cava Sapecado poderá receber 3,65 milhões de metros cúbicos
A licença também autoriza a destinação de 3,65 milhões de metros cúbicos de estéril à cava Sapecado, localizada no mesmo complexo. De acordo com a Vale, não está prevista a extração de minério de ferro nessa área até 2036, em razão das características de qualidade do minério encontrado no local.
As mudanças aprovadas pelo Copam não deverão alterar a área diretamente afetada pelo empreendimento minerário.
A ampliação do reaproveitamento integra um conjunto de medidas relacionadas ao aproveitamento de recursos minerais e à gestão dos materiais gerados pela atividade de mineração. A recuperação do minério presente nos rejeitos permite direcionar parte desse material novamente ao processamento mineral, enquanto a disposição em cavas atende às necessidades operacionais do complexo.
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