Mais
    InícioMatériasGestão de risco climático avança do plano de chuvas para planos de...

    Gestão de risco climático avança do plano de chuvas para planos de adaptação e resiliência na mineração

    Publicado em

    A gestão de risco climático em operações de mineração passa por uma mudança de escopo. O Plano de Chuvas, instrumento consolidado no setor para o período de maior precipitação, deixa de ser suficiente isoladamente diante do aumento na frequência de eventos climáticos que antes não faziam parte da rotina operacional das minas. A consultoria HIDROBR propõe como resposta o Plano de Adaptação Climática e Resiliência, estrutura complementar ao plano de chuvas.

    Contexto regulatório

    O tema ganhou peso no setor de mineração após uma série de rompimentos de barragens de rejeitos no Brasil na última década, que levou a uma revisão das normas de segurança de barragens no país, incluindo atualizações posteriores da Agência Nacional de Mineração (ANM). Em 2020, o International Council on Mining and Metals (ICMM), o Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (PNUMA) e os Princípios para o Investimento Responsável (PRI) publicaram o Global Industry Standard on Tailings Management (GISTM). O padrão passou a exigir das operadoras a consideração de cenários de mudança climática no projeto e na avaliação de risco de estruturas de disposição de rejeitos (TSFs, na sigla em inglês para tailings storage facilities).

    A incerteza como ponto de partida

    Um ponto central da mudança de abordagem é a incerteza inerente às projeções climáticas. Modelos de circulação geral (GCMs) submetidos a diferentes cenários de emissões, quando aplicados a uma mesma região por meio de técnicas de downscaling, podem indicar trajetórias distintas para chuva, temperatura e frequência de eventos extremos ao longo das próximas décadas. A divergência não decorre de imprecisão da ciência climática, mas da própria natureza probabilística do problema: o clima futuro depende de variáveis ainda em aberto, como a trajetória global de emissões.

    Essa condição tem implicação direta sobre a engenharia de estruturas de mineração. O dimensionamento de barragens, vertedouros e sistemas de drenagem tradicionalmente se apoia em séries históricas de chuva e vazão, processadas por meio de curvas IDF (intensidade-duração-frequência) e análises de frequência de eventos extremos. Essa metodologia parte de uma premissa de estacionariedade: assume que as estatísticas do clima passado continuam válidas para estimar a probabilidade de eventos futuros. Sob mudança climática, essa premissa perde validade, e um projeto dimensionado exclusivamente pelo registro histórico tende a subestimar solicitações futuras sobre a estrutura.

    A alternativa proposta pela HIDROBR é substituir a previsão pontual por uma abordagem de cenários (faixas de possibilidades associadas a diferentes trajetórias climáticas), reavaliadas periodicamente à medida que novos dados e projeções se tornam disponíveis. Nessa lógica, a incerteza deixa de ser um obstáculo a ser eliminado antes de agir e passa a ser uma variável incorporada ao processo de decisão, com revisão contínua dos parâmetros de projeto e dos fatores de segurança adotados.

    Componentes do plano

    A HIDROBR estrutura o plano em cinco etapas.

    1. Caracterização das ameaças climáticas. Combinação de dados históricos, tendências observadas e projeções climáticas (downscaling regional) para cada empreendimento, cobrindo precipitações extremas, estiagens prolongadas, ondas de calor, ventos extremos, incêndios florestais, erosões e movimentos de massa.
    2. Identificação dos elementos críticos. Mapeamento de estruturas, sistemas e processos essenciais à segurança e à continuidade da operação (barragens, pilhas de estéril e rejeitos, taludes, sistemas de drenagem, abastecimento de água, subestações, estradas, telecomunicações e sistemas de alerta), incluindo as interdependências e o grau de redundância entre eles.
    3. Avaliação integrada de ameaças, exposição e vulnerabilidades. Análise da convergência entre ameaças, exposição, vulnerabilidades, controles disponíveis e consequências potenciais para cada estrutura ou processo crítico, com o objetivo de identificar limites operacionais, pontos únicos de falha e dependências críticas.
    4. Avaliação de resiliência. Além da probabilidade e das consequências de um evento, a avaliação passa a considerar a capacidade da operação de manter suas funções essenciais em caso de ocorrência: antecipar, resistir, responder, recuperar e adaptar-se.
    5. Conversão em medidas de adaptação. Tradução dos riscos prioritários em decisões de engenharia, redundância energética (incluindo arranjos N-1, com capacidade de operar mesmo com a perda de um componente crítico), acessos alternativos, monitoramento adicional, revisão de procedimentos e capacitação de equipes. O aumento de resiliência não implica necessariamente execução de obras.

    Roadmap de resiliência

    Para cada risco prioritário, a HIDROBR recomenda um roadmap com definição de medida, prioridade, responsável, prazo, investimento e indicador de acompanhamento. Essa estrutura conecta os riscos climáticos às decisões de engenharia, operação e planejamento de investimentos.

    Para Vítor Lages CEO da HIDROBR, o plano de chuvas e o plano de adaptação climática respondem a perguntas de naturezas diferentes:

    “Os planos de chuvas respondem a uma pergunta operacional: estamos prontos para o período crítico deste ano. O plano de adaptação climática responde a uma pergunta de outra natureza: mesmo sem sabermos exatamente qual será o clima daqui a vinte anos, a operação está preparada para uma faixa razoável de cenários possíveis. Não se trata de acertar uma previsão, mas de reduzir a exposição da operação à incerteza.”

    Conclusão

    O Plano de Chuvas permanece parte da estrutura de gestão de risco, como instrumento operacional de preparação para períodos críticos. O Plano de Adaptação Climática e Resiliência amplia esse horizonte, incorporando cenários futuros, interdependências, incerteza e decisões de médio e longo prazo.

    São Paulo
    chuva fraca
    21 ° C
    21.3 °
    20.8 °
    78%
    6.7m/s
    100%
    sex
    21 °
    sáb
    21 °
    dom
    28 °
    seg
    22 °
    ter
    19 °

    Notícias recentes

    Lynas anuncia aquisição da Meteoric e projeto de terras raras em MG por R$ 3,5 bilhões

    A Lynas Rare Earths e a Meteoric Resources anunciaram um acordo vinculante para a...

    Bipartisan Mining Reform Bill Introduced in Senate

    Senators Shelley Moore Capito and Sheldon Whitehouse, alongside ENR Chairman Mike Lee and Martin...

    Lynas Rare Earths to Acquire Meteoric Resources

    Lynas Rare Earths Ltd. and Meteoric Resources Ltd. entered into a binding Scheme Implementation...

    leia mais

    Lynas anuncia aquisição da Meteoric e projeto de terras raras em MG por R$ 3,5 bilhões

    A Lynas Rare Earths e a Meteoric Resources anunciaram um acordo vinculante para a...

    Bipartisan Mining Reform Bill Introduced in Senate

    Senators Shelley Moore Capito and Sheldon Whitehouse, alongside ENR Chairman Mike Lee and Martin...

    Lynas Rare Earths to Acquire Meteoric Resources

    Lynas Rare Earths Ltd. and Meteoric Resources Ltd. entered into a binding Scheme Implementation...