O consumo de fertilizantes no Brasil pode ficar abaixo de 42 milhões de toneladas em 2026, o menor volume desde 2022, segundo projeção de Ana Lígia Lenat, representante da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), em entrevista ao *Globo Rural*. Dados da Associação Nacional para Difusão de Adubos (Anda) mostram que as entregas do insumo somaram 22,98 milhões de toneladas de janeiro a julho, queda de 8,8% em relação ao mesmo período de 2025. Custos elevados, restrições de crédito e dificuldades no fornecimento de matérias-primas em meio ao conflito no Oriente Médio pressionam o setor.
A produção nacional também diminuiu. Segundo dados atribuídos à Anda, o Brasil produziu 3,3 milhões de toneladas de fertilizantes intermediários entre janeiro e julho, redução de 19,7% na comparação com o mesmo período de 2025. Em julho, foram 517 mil toneladas, queda de 19,9%.
A escassez de enxofre, matéria-prima utilizada na fabricação de fertilizantes fosfatados, contribui para as dificuldades da indústria. A Mosaic anunciou paralisações temporárias ou parciais em cinco plantas brasileiras e reduziu a produção em duas unidades de mistura. A empresa também estima uma queda de 10% a 15% nas entregas de fertilizantes no mercado brasileiro em 2026, para um volume entre 42 milhões e 44 milhões de toneladas.
A projeção de Ana Lígia indica um cenário mais pessimista do que a faixa estimada pela Mosaic. O volume efetivo dependerá da evolução das compras dos agricultores, das importações e da disponibilidade de insumos nos próximos meses.
Cerca de 93% dos fertilizantes consumidos no Brasil são importados, segundo o Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa). A dependência do mercado externo deixa o país exposto às oscilações internacionais de preços e às dificuldades de abastecimento.
O enxofre chegou a superar US$ 1.000 por tonelada durante o período de maior pressão no mercado. Segundo análise da StoneX, a cotação recuou posteriormente, mas os custos ainda pressionam a fabricação de fertilizantes fosfatados.
No campo, produtores têm adiado compras e revisto os planos de adubação diante da redução das margens e das dificuldades de financiamento. Uma das alternativas é aproveitar o fósforo acumulado no solo em safras anteriores, reduzindo temporariamente a reposição do nutriente. A estratégia, porém, pode afetar a produtividade, dependendo das condições de cada lavoura.
Para a safra 2026/27, a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) estima uma produção de soja de 181,6 milhões de toneladas, alta de 0,7% em relação ao ciclo anterior. A área plantada deve crescer 1,4%. As projeções não indicam, por si só, como será o consumo de fertilizantes ao longo da safra.
O governo federal também prevê incentivos à produção nacional para reduzir a dependência externa. Entre as medidas está a concessão de créditos fiscais para estimular a fabricação de fertilizantes no país. Os efeitos dessas iniciativas dependerão da implantação dos projetos e da ampliação da capacidade produtiva brasileira.
Entregas de fertilizantes no Brasil – Volume entregue ao mercado
2022 – 41,08 milhões de toneladas
2023 – 45,83 milhões de toneladas
2024 – 45,62 milhões de toneladas
2025 – 49,12 milhões de toneladas
2026 (janeiro a julho) – 22,99 milhões de toneladas
Fonte: Anda
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