Mais
    InícioNotíciasApós dez anos de impasses, Código da Mineração volta a ser discutido...

    Após dez anos de impasses, Código da Mineração volta a ser discutido na Câmara

    Publicado em

    Grupo formado na Câmara dos Deputados vai discutir propostas de modernização nas regras do setor

    A Câmara dos Deputados criou um grupo de trabalho para discutir e apresentar uma proposta de alteração do Código de Mineração.

    A mudança na legislação vigente desde 1967 foi amplamente debatida nos últimos dez anos, sem que tenha havido acordo para que fosse votada.

    O tema tem grande impacto sobre Minas Gerais, que tem na atividade uma das suas principais fontes de receita, além de ter o segundo maior faturamento do setor em todo o país.

    Agora, o assunto volta à Casa sob relatoria da deputada mineira Greyce Elias (Avante). Na primeira reunião realizada há duas semanas, ela afirmou que o objetivo do grupo é modernizar o Código de Mineração, de maneira a proporcionar maior segurança jurídica ao setor e criar condições para a formalização de pequenos e médios mineradores.

    “O setor mineral no país é muito forte e tem muito ainda a ser fortalecido. E esse é o grande papel desse grupo de trabalho, reconhecendo esse setor como um dos pilares do desenvolvimento do nosso país, principalmente para essa retomada econômica que precisamos pós-pandemia de Covid-19”, disse.

    Segundo a deputada, o trabalho do grupo deve partir da própria legislação vigente e da Medida Provisória (MP) 789/2017, editada pelo presidente Michel Temer (MDB) e que caducou sem ter sido votada no Congresso.

    Na época, Temer editou outras duas MPs: uma que extinguiu o Departamento Nacional de Produção Mineral (DNPM) e criou a Agência Nacional de Mineração (ANM), e outra que mudou a forma de cálculo da receita da Compensação Financeira pela Exploração de Recursos Minerais (Cfem).

    Na avaliação do deputado Odair Cunha (PT), que compõe o grupo, a atividade nunca deixou de ser discutida e, por isso, retorna à Casa em diferentes momentos. No entanto, ele pondera que o grupo de trabalho criado agora não tem a mesma força de uma comissão especial, como na legislatura passada.

    “Esse assunto é recorrente na Casa, e, na medida em que a reforma do Código de Mineração não foi feita e é uma lei que precisa ser atualizada, o assunto persiste”, disse.

    Ele avalia que a atualização do código é essencial. “Uma atualização moderna e que pense a mineração como uma atividade do futuro, com novas tecnologias e garantindo a preservação ambiental, é fundamental. Mas eu entendo que a aprovação vai depender muito do texto que for elaborada no grupo”, afirma.

    Para o deputado Zé Silva (Solidariedade), um dos sete sub-relatores do grupo e presidente da Comissão Externa do Desastre de Brumadinho, a diferença agora é que os deputados estão pautando o debate, embora desde 2011 o assunto estivesse em discussão na Casa.

    “Em 2017, o governo era o motor da necessidade de fazer uma alteração no Código de Mineração, e agora é o Congresso”, disse, referindo-se às MPs de Temer.

    Ele ressalta que, a partir da CPI de Brumadinho, importantes alterações na legislação de barragens já foram feitas. Por isso, a expectativa em relação ao grupo é fortalecer a ANM com mais recursos, tecnologia e pessoal e modernizar o código.

    Setor cita riscos para investimentos

    Assim que o presidente da Câmara, deputado Arthur Lira (PP-AL), assinou o ato de criação do grupo de trabalho para debater e elaborar uma proposta de alteração do Código de Mineração, o Instituto Brasileiro de Mineração (Ibram) – que reúne mineradoras responsáveis por mais de 85% da produção mineral brasileira – divulgou um comunicado defendendo a manutenção da legislação atual.

    No documento, o Ibram diz que “mais uma vez o Brasil está diante de um movimento político em busca de mudanças na legislação que rege a mineração industrial e, assim como há alguns anos, poderá gerar uma lacuna na tomada de decisão de investimentos bilionários e de longo prazo no país”.

    Outras instituições ainda estão aguardando o avanço dos debates para se posicionarem. Na semana passada, a relatora do grupo de trabalho, deputada Greyce Elias, participou de um evento promovido pelo Sindicato da Indústria Mineral do Estado de Minas Gerais (Sindiextra), ligado à Federação das Indústrias (Fiemg). No entanto, nenhum representante do sindicato foi localizado, e o presidente da Fiemg, Flávio Roscoe, não quis se pronunciar sobre o que foi debatido e as expectativas do setor.

    Já o presidente da Associação dos Municípios Mineradores de Minas e do Brasil (Amig) e prefeito de Conceição do Mato Dentro, José Fernando Aparecido de Oliveira, informou que está buscando uma reunião com a relatora e outros integrantes do grupo e também uma audiência pública para discutir as demandas dos municípios. Ele já adiantou que uma delas é a revisão da CFEM distribuída aos municípios não produtores, mas impactados pela mineração; e a outra, a isenção de ICMS da Lei Kandir.

    “Temos questões estruturantes, como uma que escravizou Minas, desindustrializou o país e quebrou o Estado, que foi a isenção de ICMS da Lei Kandir para a exportação de minérios. Essa lei isenta a siderúrgica chinesa e taxa a brasileira. É uma demanda que vamos colocar para criar uma cadeia produtiva em cima dessa produção mineral, gerando emprego e renda aqui no Brasil”, disse.

    Mudanças no setor travadas no Legislativo

    A mudança no Código de Mineração é discutida na Câmara desde 2011. Em 2013, uma comissão especial foi criada para avaliar o projeto que instituía novo código e criava a Agência nacional. A comissão era presidida pelo ex-deputado Gabriel Guimarães (PT), e o relator do texto – reeditado em 2015 – era o ex-deputado Leonardo Quintão (MDB).

    Em 2013, a ex-presidente Dilma Rousseff (PT) também enviou um projeto que dispunha sobre a atividade e criava o Conselho Nacional de Política Mineral. Ele foi apensado ao projeto anterior e passou a ser discutido também na comissão.

    Quintão elaborou mais de um relatório – o último foi após o desastre de Mariana, mas o tema nem sequer foi levado a votação.

    “O projeto, em si, não foi aprovado, mas o amplo debate possibilitou o avanço. De lá pra cá, medidas foram aprovadas – por exemplo, a MP que promoveu a transformação do DNPM em ANM”, avalia o ex-deputado Gabriel Guimarães.

    São Paulo
    nublado
    27.2 ° C
    28 °
    25.8 °
    41%
    1.3m/s
    100%
    ter
    27 °
    qua
    26 °
    qui
    30 °
    sex
    28 °
    sáb
    31 °

    Notícias recentes

    Minerais críticos podem adicionar R$192 bilhões ao PIB e gerar 750 mil novos empregos, aponta estudo da Amcham Brasil

    Belo Horizonte, 4 de agosto de 2026 – A expansão dos investimentos na cadeia de...

    Jaguar Mining prepara nova mina de ouro em Onça de Pitangui (MG)

    A Jaguar Mining planeja iniciar, em 2027, a construção de uma nova mina de...

    Integrated Pump Technology looks to Grindex, Godwin brands for latest dewatering push

    Integrated Pump Technology says it is leveraging two of the dewatering sector’s most recognisable...

    leia mais

    Minerais críticos podem adicionar R$192 bilhões ao PIB e gerar 750 mil novos empregos, aponta estudo da Amcham Brasil

    Belo Horizonte, 4 de agosto de 2026 – A expansão dos investimentos na cadeia de...

    Jaguar Mining prepara nova mina de ouro em Onça de Pitangui (MG)

    A Jaguar Mining planeja iniciar, em 2027, a construção de uma nova mina de...

    Integrated Pump Technology looks to Grindex, Godwin brands for latest dewatering push

    Integrated Pump Technology says it is leveraging two of the dewatering sector’s most recognisable...