A Companhia Brasileira de Alumínio (CBA) apresentou crescimento expressivo de seus indicadores financeiros no terceiro trimestre de 2026 (3T26), com lucro líquido de R$ 616 milhões, alta de 367% na comparação anual. O resultado, o maior já registrado pela companhia em um trimestre, reflete a combinação de preços mais favoráveis do alumínio, maior eficiência operacional e ganhos financeiros associados à antecipação de obrigações.
O lucro também superou em 50% o resultado obtido no segundo trimestre deste ano. Parte relevante desse desempenho decorreu de um benefício líquido de R$ 315 milhões relacionado à renegociação de compromissos de Uso do Bem Público (UBP).
A receita líquida consolidada somou R$ 2,7 bilhões entre julho e setembro, crescimento de 18% em relação ao 3T25 e novo recorde trimestral. O segmento de alumínio concentrou R$ 2,5 bilhões desse montante, com expansão anual de 19%.
A companhia também registrou EBITDA ajustado de R$ 565 milhões, avanço de 142% na comparação anual. A margem EBITDA ajustada passou de 10% para 21%, evidenciando a melhora da rentabilidade operacional.
O indicador foi favorecido pelo desempenho do negócio de alumínio e pela diminuição das perdas relacionadas aos contratos futuros e derivativos de energia. O impacto negativo desses instrumentos recuou de R$ 208 milhões para R$ 47 milhões em um ano.
Preços internacionais sustentam desempenho
A valorização do alumínio no mercado internacional teve papel importante na expansão das receitas da CBA.
Na London Metal Exchange (LME), o preço médio do metal foi de US$ 3.226 por tonelada no terceiro trimestre, aumento de 23% em relação ao mesmo intervalo de 2025.
Na comparação com o 2T26, entretanto, houve queda de 9,7% nas cotações. Mesmo assim, os preços continuaram em patamares elevados, influenciados pelos baixos estoques internacionais, pela recuperação gradual do consumo chinês e pelas restrições de oferta fora da China.
A combinação de preços mais favoráveis e participação elevada de produtos de maior valor agregado contribuiu para a expansão do faturamento do segmento de alumínio.
CBA reduz custo de produção e mantém estabilidade operacional
A produção de alumínio líquido da companhia totalizou 94 mil toneladas no terceiro trimestre, crescimento de 1% em relação ao mesmo período do ano anterior e estabilidade frente ao 2T26.
O custo médio de produção caiu para R$ 11.845 por tonelada, redução anual de 2,3% e menor patamar desde os três primeiros meses de 2025.
A redução foi impulsionada, principalmente, pela maior geração própria de energia elétrica, que apresentou crescimento de 15% na comparação anual.
Com esse desempenho, a CBA conseguiu atender 100% das necessidades de energia de suas operações de produção de alumínio durante o trimestre, reduzindo a exposição a custos energéticos externos.
O volume total de vendas permaneceu em 132 mil toneladas, estável em relação ao 3T25 e 1% superior ao trimestre imediatamente anterior.
As vendas de alumínio primário alcançaram 73 mil toneladas, das quais 80% corresponderam a produtos de maior valor agregado. Já o segmento de produtos transformados comercializou 31 mil toneladas.
A reciclagem respondeu por outras 28 mil toneladas, crescimento anual de 8%, acompanhando a maior procura por alumínio reciclado e os avanços operacionais da atividade.
As exportações também ganharam espaço na composição comercial da companhia, alcançando 15% das vendas, três pontos percentuais acima da participação registrada um ano antes.
Geração própria de energia fortalece competitividade
O negócio de energia da CBA registrou receita líquida de R$ 146 milhões entre julho e setembro, aumento de 4% em relação ao 3T25.
A expansão foi sustentada pela maior disponibilidade de energia para comercialização, resultado do crescimento de 15% na geração própria.
A autossuficiência energética alcançada na produção de alumínio também contribuiu para a redução do custo industrial e para o desempenho operacional consolidado.
Dívida líquida recua 16%
Na gestão financeira, a CBA concluiu a renegociação e liquidação antecipada de obrigações de Uso do Bem Público (UBP), com base na Lei nº 15.235/2025.
A transação exigiu desembolso líquido de R$ 262 milhões e resultou em benefício econômico de R$ 526 milhões, reconhecido no resultado financeiro da companhia.
Após os efeitos tributários, o ganho líquido foi de R$ 315 milhões. Embora tenha provocado saída de recursos no trimestre, a operação reduziu compromissos futuros de caixa.
A dívida líquida encerrou setembro em R$ 2,8 bilhões, valor 16% inferior ao registrado no mesmo período do ano anterior.
A relação entre dívida líquida e EBITDA ajustado dos últimos 12 meses, utilizada para medir a alavancagem financeira, diminuiu de 2,45 vezes no 3T25 para 1,38 vez no 3T26. No segundo trimestre deste ano, o indicador estava em 1,68 vez.
A melhora dos indicadores financeiros, acompanhada pela estabilidade dos volumes comercializados e pela redução dos custos industriais, marcou o desempenho da CBA no período.
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O post Lucro da CBA cresce 367% e atinge R$ 616 milhões no 3T26 apareceu primeiro em Revista Mineração.







