A Graphcoa, subsidiária da Appian Capital Brazil, prevê investir entre R$ 700 milhões e R$ 800 milhões na implantação de uma mina e de uma unidade de beneficiamento de grafite em Jordânia, no Vale do Jequitinhonha, nordeste de Minas Gerais. O empreendimento terá capacidade estimada de produção de 53 mil toneladas anuais de concentrado e tem previsão de iniciar as operações no segundo semestre de 2029.
O projeto está na etapa de estudos de viabilidade e licenciamento ambiental. A audiência pública para apresentação do Estudo de Impacto Ambiental e do Relatório de Impacto Ambiental (EIA-Rima) foi realizada em abril de 2026. A empresa trabalha para concluir os estudos técnicos e obter as licenças necessárias à implantação.
A previsão é iniciar as obras no segundo semestre de 2027, condicionadas à conclusão do licenciamento e à decisão final de investimento. Durante a construção, o empreendimento poderá gerar cerca de 600 empregos diretos. Na fase operacional, a estimativa é de aproximadamente 150 postos de trabalho permanentes.
A construção do projeto está relacionado ao crescimento da demanda por grafite natural, matéria-prima utilizada em diferentes segmentos industriais e na fabricação de baterias de íons de lítio. Nesse tipo de bateria, o mineral é empregado principalmente na composição do ânodo, eletrodo responsável por armazenar e liberar íons de lítio durante os ciclos de carga e descarga.
Segundo o Diretor-Geral de Operações da Graphcoa, Ricardo Alves, uma bateria de veículo elétrico com aproximadamente 150 kg contém cerca de 150 g de grafite. A demanda do setor automotivo destaca a importância do mineral para a cadeia de produção de baterias e para o desenvolvimento de fornecedores de matérias-primas.
Parte da produção prevista em Minas Gerais deverá ser encaminhada à Allied Graphite, companhia da Appian nos Estados Unidos, para etapas de processamento avançado até atingir as especificações necessárias à fabricação de ânodos.
Planta de demonstração na Bahia
A mina Boa Sorte, em Itagimirim, na Bahia, foi utilizada pela Graphcoa como planta de demonstração para validar os processos de extração e beneficiamento previstos para Jordânia, em Minas Gerais. A unidade já produziu mais de 400 toneladas de concentrado, com amostras enviadas a compradores dos Estados Unidos, Canadá e à indústria brasileira de refratários. A empresa também possui outras reservas no estado, que poderão ser exploradas futuramente.
Produção brasileira
A produção nacional de grafite está concentrada em Minas Gerais. A Nacional de Grafite, fundada em 1939, tem capacidade de beneficiamento de 70 mil toneladas anuais em unidades localizadas em Itapecerica, Pedra Azul e Salto da Divisa.
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