A Jaguar Mining pretende reapresentar o pedido de licenciamento ambiental do projeto Onças de Pitangui, em Minas Gerais, após a negativa da Licença Prévia e de Instalação (LP+LI) pelo órgão ambiental estadual. A companhia informou, em comunicado divulgado em 2 de novembro de 2026, que trabalhará na revisão dos estudos técnicos para dar continuidade ao desenvolvimento do empreendimento de ouro subterrâneo.
A decisão foi emitida em 30 de outubro pela Unidade Regional de Regularização Ambiental (URA) Alto São Francisco, da Fundação Estadual do Meio Ambiente (Feam), após parecer técnico elaborado no dia anterior.
Entre os fundamentos apresentados pelo órgão ambiental estão lacunas nas informações técnicas encaminhadas pela mineradora, que impediram a demonstração da viabilidade ambiental do empreendimento nesta etapa do processo.
Segundo a Jaguar Mining, a manifestação da autoridade ambiental não estabelece que o projeto seja definitivamente inviável. A companhia afirma que o documento recomenda a reavaliação dos sistemas de controle ambiental e permite a apresentação de um novo requerimento acompanhado da documentação adequada.
Empresa mantém planos para Onças de Pitangui
O indeferimento representa uma nova etapa de adequação documental para a Jaguar Mining, que pretende manter o projeto em seu planejamento de desenvolvimento mineral em Minas Gerais.
O presidente e CEO da companhia, Luis Albano Tondo, afirmou que a empresa ficou decepcionada com o resultado da análise, mas continuará buscando o avanço do empreendimento.
De acordo com o executivo, a mineradora trabalhará para corrigir os pontos identificados no Estudo de Impacto Ambiental e manterá o relacionamento com os órgãos reguladores e as comunidades situadas nas proximidades do projeto.
A reapresentação do pedido dependerá da conclusão dessas adequações. Até o momento, não foi divulgado um cronograma para a nova solicitação.
Reservas e recursos reforçam potencial
O projeto Onças de Pitangui foi incorporado ao portfólio da Jaguar Mining em setembro de 2023, após aquisição junto à IAMGOLD.
Localizado a aproximadamente 110 quilômetros a noroeste de Belo Horizonte, o ativo está a cerca de 30 quilômetros da unidade de processamento de Turmalina, infraestrutura que também pertence à companhia.
A região integra o cinturão de rochas verdes de Pitangui, uma formação geológica arqueana com potencial para mineralizações auríferas.
Antes da aquisição, haviam sido realizados aproximadamente 88 mil metros de sondagem na área geológica. Posteriormente, a Jaguar ampliou os trabalhos exploratórios para aprofundar o conhecimento sobre os depósitos minerais.
O empreendimento conta com reservas provadas e prováveis estimadas em 286 mil onças de ouro, distribuídas em 2,122 milhões de toneladas de minério, com teor médio de 4,16 gramas por tonelada.
Além das reservas, os recursos minerais medidos e indicados alcançam 457 mil onças, com teor médio de 4,01 gramas por tonelada, enquanto os recursos inferidos totalizam 490 mil onças, com teor médio de 3,64 gramas por tonelada.
Essas estimativas representam diferentes categorias de classificação geológica e não devem ser interpretadas como volumes integralmente disponíveis para produção comercial. A viabilidade de exploração depende de fatores técnicos, econômicos e ambientais, incluindo a obtenção das licenças exigidas.
Outros ativos no estado
A Jaguar Mining mantém sua atuação concentrada na exploração e produção de ouro em Minas Gerais, principalmente na região do Quadrilátero Ferrífero.
Seu portfólio inclui o Complexo MTL, composto pela mina e planta de Turmalina, e o Complexo Caeté, que reúne as minas Pilar e Roça Grande, além da planta de processamento de Caeté.
A unidade Roça Grande permanece em regime de suspensão temporária desde abril de 2019.
Outro empreendimento da companhia é o Complexo Paciência, que inclui a mina Santa Isabel e uma planta de beneficiamento. Após permanecer paralisado desde 2012, o complexo está passando por trabalhos preparatórios e de desenvolvimento para uma possível retomada operacional no início de 2027.
Enquanto avança com suas demais atividades, a Jaguar Mining terá como prioridade, no projeto Onças de Pitangui, atender às exigências técnicas apresentadas pelo órgão ambiental e buscar as condições necessárias para uma nova análise do licenciamento.
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