A australiana BHP e a estatal chilena Codelco estabeleceram um acordo para explorar o projeto Anillo, uma área com potencial para cobre, ouro e molibdênio localizada na região de Antofagasta, no Chile. A iniciativa prevê investimentos de até US$ 40 milhões pela companhia australiana para avaliar as características geológicas do depósito e verificar as possibilidades de desenvolvimento de uma nova operação mineral.
O acordo, anunciado em maio de 2025 durante a Conferência Global de Metais, Mineração e Aço do Bank of America, integra a estratégia da Codelco de buscar parceiros para desenvolver ativos que não estejam entre as prioridades de exploração direta da empresa.
O Anillo possui cerca de 24 mil hectares e está localizado a aproximadamente 150 quilômetros a sudoeste de Antofagasta. A área fica a menos de 40 quilômetros da mina Escondida, uma das principais operações de cobre do mundo, controlada majoritariamente pela BHP.
A proximidade com uma operação de grande porte pode representar uma vantagem logística para os trabalhos de exploração e para uma eventual etapa de desenvolvimento. A região conta com acesso pela estrada que leva à mina Escondida, construída em conjunto com a Minera Zaldívar, ligada à Antofagasta Minerals.
Investimentos dependem dos resultados da exploração
Apesar do potencial geológico identificado, o projeto Anillo ainda está em estágio inicial. Campanhas anteriores realizadas pela Codelco e por terceiros identificaram formações associadas a pórfiros de cobre, ouro e molibdênio, mas não foram estabelecidas estimativas de recursos ou reservas minerais.
Uma das últimas iniciativas anteriores foi conduzida pela Orosur Mining, que encerrou sua participação em 2018. Desde então, o depósito permanece sem avançar para etapas mais aprofundadas de avaliação que permitam dimensionar seu potencial econômico.
Com o novo acordo, a BHP ficará responsável pelos investimentos necessários aos estudos e trabalhos de exploração previstos. O objetivo é reunir informações suficientes para determinar se o depósito apresenta condições para se transformar em um empreendimento economicamente sustentável.
Caso os resultados sejam favoráveis e as exigências regulatórias sejam atendidas, o contrato prevê a possibilidade de formação de uma parceria entre a BHP e a Codelco para desenvolver o projeto. Se a iniciativa não apresentar viabilidade, os estudos e dados obtidos permanecerão com a estatal chilena.
Codelco amplia estratégia de parcerias minerais
O projeto faz parte de uma carteira de 34 ativos que a Codelco disponibilizou, em 2022, para avaliação por empresas interessadas em estabelecer parcerias. A medida busca aproveitar o potencial de áreas que não necessariamente serão desenvolvidas de forma independente pela companhia.
A estratégia está relacionada à necessidade de concentrar recursos e esforços nas oportunidades consideradas prioritárias entre os aproximadamente 2,3 milhões de hectares de propriedades minerárias da estatal no Chile.
Para o presidente do conselho de administração da Codelco à época do anúncio, Máximo Pacheco, a colaboração com empresas de grande porte pode acelerar o desenvolvimento de concessões promissoras e ampliar a geração de valor dos ativos.
A BHP, por sua vez, considera o cobre um insumo fundamental para a eletrificação, a descarbonização e a digitalização da economia. A experiência da companhia em projetos minerais e sua presença operacional no Chile estão entre os fatores que podem contribuir para a avaliação do Anillo.
A concretização de uma eventual sociedade, porém, está condicionada à legislação chilena nº 19.137, que regulamenta as associações da Codelco com terceiros para desenvolver projetos minerais fora de suas operações atuais e de determinados planos de expansão ou reposição conduzidos diretamente pela estatal.
Até que os estudos sejam concluídos, o Anillo permanece como um projeto de exploração, sem reservas minerais oficialmente estimadas e sem confirmação de que será implantada uma nova mina.
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