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    Pesquisa investiga potencial de terras raras em área de bauxita na Serra da Mantiqueira

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    Estudo usa geofísica para entender o que existe no subsolo e pode ajudar a direcionar novas pesquisas sobre minerais estratégicos

    Uma pesquisa liderada pelo Observatório Nacional (ON/MCTI) está investigando o potencial de ocorrência de elementos de terras raras em uma área de bauxita na Serra da Mantiqueira, entre Minas Gerais e São Paulo.

    O estudo foi realizado no Complexo Alcalino de Passa Quatro, uma formação geológica que abriga depósitos de bauxita. Os pesquisadores utilizaram métodos geofísicos para entender melhor a estrutura do subsolo e identificar regiões que podem estar associadas a materiais com potencial para concentrar terras raras. O trabalho foi publicado no Journal of Applied Geophysics.

    O que são terras raras?

    Apesar do nome, os elementos terras raras não são necessariamente raros na natureza. O grupo reúne 17 elementos químicos usados em diferentes tecnologias, como equipamentos eletrônicos, motores, ímãs e aplicações relacionadas à transição energética.

    Por causa dessas utilizações, eles são considerados importantes para diversas cadeias industriais e fazem parte do grupo dos chamados minerais críticos e estratégicos.

    No caso de Passa Quatro, os pesquisadores investigam a possibilidade de que processos que ocorreram ao longo de milhões de anos tenham favorecido a concentração desses elementos junto aos materiais associados à formação da bauxita.

    Como a geofísica ajuda nessa investigação?

    Imagine poder observar características do subsolo sem precisar escavar toda a área. É justamente aí que entra a geofísica.

    Na pesquisa, os cientistas utilizaram o método conhecido como áudio-magnetotelúrico (AMT), que mede características elétricas do subsolo. Com essas informações, foi possível construir uma espécie de mapa em três dimensões das propriedades elétricas abaixo da superfície.

    O método não encontra diretamente as terras raras. Ele ajuda os pesquisadores a entender onde estão determinados tipos de materiais e como as diferentes camadas do subsolo estão organizadas.

    Os dados identificaram, por exemplo, regiões que conduzem mais eletricidade e que podem estar associadas à presença de materiais argilosos. Essas informações podem orientar pesquisas futuras, que combinam geologia, mineralogia e análises químicas para verificar onde os elementos terras raras estão presentes.

    E o que isso tem a ver com a bauxita?

    A bauxita é a principal matéria-prima usada para produzir alumínio. Na região estudada, sua formação está ligada à ação do intemperismo tropical sobre as rochas ao longo de milhões de anos.

    Segundo o estudo, o ambiente geológico do Complexo Alcalino de Passa Quatro pode ter contribuído também para o enriquecimento de terras raras no perfil de bauxita. Os resultados da pesquisa ajudam a entender melhor como esses depósitos se formaram e onde podem existir áreas de interesse para novas investigações.

    E os rejeitos de mineração?

    Uma das possibilidades estudadas para o futuro é verificar se materiais que já foram retirados das minas ou gerados durante o beneficiamento da bauxita podem conter concentrações de terras raras que tenham interesse econômico.

    Mas essa etapa ainda depende de novas pesquisas. Primeiro, é preciso identificar se os elementos realmente estão presentes, em que quantidade e como estão distribuídos nos materiais. Depois, seria necessário avaliar se é possível recuperá-los de maneira técnica e economicamente viável.

    Por isso, a pesquisa atual é uma etapa de investigação. Ela não demonstra ainda que terras raras possam ser recuperadas dos rejeitos da bauxita, mas fornece informações que podem ajudar a orientar estudos futuros sobre esse potencial.

    Uma nova forma de olhar para os recursos minerais

    O estudo mostra como diferentes áreas da ciência podem trabalhar juntas para ampliar o conhecimento sobre os recursos minerais.

    Ao combinar geofísica com informações geológicas, mineralógicas e químicas, os pesquisadores conseguem entender melhor o subsolo e identificar locais que merecem uma investigação mais detalhada.

    Esse tipo de pesquisa também pode contribuir para o aproveitamento mais completo dos recursos minerais, inclusive por meio da avaliação de materiais que hoje não são aproveitados. Antes de transformar essa possibilidade em realidade, no entanto, ainda são necessárias novas análises para verificar a quantidade de terras raras, as formas de recuperação e a viabilidade do processo.

    Fonte: Gov.br

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