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    Não é possível migrar para matriz energética sustentável sem mineração

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    Meio ambiente com mineração

    É largamente reconhecido que o mundo precisa migrar da matriz energética atual para fontes renováveis de energia, o que inclui energia solar e energia eólica, mas também o aproveitamento energético das marés, das ondas e até das correntes oceânicas.

    Mas esse aparentemente grande número de alternativas esconde um gargalo: A tecnologia que dispomos hoje para aproveitar qualquer uma delas depende de construir geradores, e geradores precisam de ímãs, e os melhores ímãs são feitos de minerais de um grupo conhecido como terras raras.

    Apesar do nome, esse grupo de minerais não é tão raro, mas, como sempre acontece na mineração, não podemos escolher onde colocar as minas: A natureza já fez essa escolha por nós – onde a natureza colocou os minerais, é lá mesmo que precisamos ir para explorá-los.

    Precisamos da mineração

    A pesquisadora Laura Sonter, da Universidade de Queensland, na Austrália, decidiu então ver para onde o mundo deve olhar para garantir os minerais que permitam a conversão do planeta para uma matriz energética sustentável. E cruzou essas informações com os locais para onde o mundo já está olhando em busca de preservação da natureza.

    A equipe mapeou as áreas de mineração do mundo, de acordo com um extenso banco de dados de 62.381 títulos de direito minerário, incluindo áreas em situações pré-operacionais, operacionais e fechadas, visando 40 minerais e metais diferentes.

    O resultado é que a necessária transição exigirá muita conversa, muita negociação e muito pragmatismo – sob pena de ficarmos travados na insustentável situação atual, incapazes de sair da matriz energética insustentável por não termos os elementos necessários à construção da matriz energética sustentável.

    “Descobrimos que 82% das áreas de mineração visam os materiais necessários para a produção de energia renovável, das quais 12% coincidem com áreas protegidas, 7% com áreas-chave de biodiversidade e 14% com áreas silvestres. E, das áreas de mineração que se sobrepõem a áreas protegidas e áreas selvagens, aquelas que visam materiais para energia renovável contêm uma densidade maior de minas do que as áreas de mineração que visam outros materiais,” disse a professora Sonter.

    Essas informações destacam a importância de incluir a questão da mineração nas discussões ambientais, incluindo o Plano Estratégico da Biodiversidade, que está sendo elaborado pelas Nações Unidas, saindo da visão mais comum atualmente entre cientistas e ambientalistas, que costumam colocar a mineração na lista de “atividades indesejáveis” sem as necessárias ressalvas de escala – uma única mina que pode atender grande parte da demanda mundial é muito menor do que apenas uma única grande fazenda de gado, por exemplo.

    Se quisermos sair da onda tecnológica atual, precisaremos da mineração para extrair as matérias-primas para a geração sustentável de energia.

    Fonte: Inovação Tecnológica

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